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Mais uma estrela do universo da indústria automobilística britânica se apagou (BRISTOL CARS, Ltd (1946 – 2011)). Possuindo orgulhosamente raízes aeronáuticas, seu projeto mais longevo é o do modelo 603, que originou uma longa série de veículos.

Como bem detalhado pelo AUTOentusiasta Marco Antônio Oliveira, para um ambicioso comportamento dinâmico, o 603 é baixo e com entre eixos longo. Parece largo, mas não ao ponto de condenar sua agilidade nas estreitas ruas e estradas inglesas. A carroceria modelada à mão com chapas de alumínio, apoiadas em um chassi tubular, garante rigidez e baixo peso.

Na posição central-dianteira localiza-se o motor Chrysler V8, que sem as alterações originais que estrangulam seu desempenho (exigências da crise do petróleo do início da década de 70), gera um desempenho de 0 a 97 km/h em 7s6 e velocidade máxima por volta dos 220 km/h no modelo 603 S de 1976.
Até os dias atuais, a Bristol Cars se negava a equipar a evolução do 603, o Blenheim, com pneus de perfil baixo em rodas gigantes para agradar os novos ricos da China e dos Emirados Árabes.

O interior é prazeroso, com bancos dignos, cinzeiros para charutos, sistema de ar-condicionado que renova por completo o ar deste “salão de jogos” e generosa área envidraçada, que como disse brilhantemente MAO: “Porque visibilidade é mais importante para evitar acidentes, oposto do pensamento de hoje, onde colunas enormes e parrudas existem para suportar acidentes que deviam na realidade ser evitados a todo custo.”

Poucos conseguiram avaliar dinamicamente os antigos Bristol Cars, isso aumentava a curiosidade de todos e parecia que a Bristol estava escondendo algo.

Mesmo que a marca seja comprada, provavelmente nunca mais será a mesma: marcas inglesas tradicionais, como Lotus, TVR e MG, foram recentemente compradas por asiáticos e seus valores foram completamente modificados. A base dos antigos clientes da Bristol Cars é presa a tradição excêntrica da aristocracia britânica, cavalheiros ingleses que possuíam superesportivos para os finais de semanas e queriam um autentico (apesar do motor Chrysler Canadense), discreto e personalizado GT britânico para o dia-a-dia. Um clube fechado, que somente convidados poderiam possuir um, mantiveram a Bristol Cars a funcionar com sua produção entre 20 e 30 carros artesanalmente construídos por ano e com uma única loja oficial em todo mundo que se tornou ponto turístico.

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O Antigomobilismo brasileiro deu seus primeiros sinais no começo dos anos 60 com Og Pozzoli e mais 11 colecionadores como Roberto Lee, Eduardo Matarazzo e Angelo Martinelli, que fundaram o Veteran Car Clube do Brasil em uma época que possuir carros antigos era considerado coisa de maluco.

Og Pozzoli além de ser um dos maiores empresários do ramo de impermeabilização no Brasil (trabalhou com Niemeyer na construção de Brasília) é também um grande apaixonado por automóveis antigos. Esta perto de chegar à segunda centena de carros na sua coleção, uma das maiores e mais importantes do mundo.

Também teve participação ativa nos primeiros encontros nacionais de São Lourenço, Poço de Caldas e Araxá. Dentro do antigomobilismo é respeitado e querido, é sócio honorário de vários clubes de carros antigos no Brasil.

Um pedaço da história do Brasil passa pela coleção de Og Pozzoli, como por exemplo, a Mercedes-Benz de 1939 que veio ao Brasil como um presente de Adolf Hitler ao diretor do Deutsche Bank, pintada nas cores do partido nazista (O diretor mandou pintar o carro de azul, que depois de restaurado por Og voltou às suas cores originais) e o Ford 1949 vermelho de Getúlio Vargas, que foi pintado de branco por Vargas porque na época a cor vermelha era de uso exclusivo do Corpo de Bombeiros.
A coleção está dividida em cinco garagens e entre elas esta a garagem de veículos presidenciais. Nesta garagem presidencial os veículos que chamam mais a atenção são o Itamaraty Limousine que era utilizada pela presidência da república, governadores de estados e ministérios, um Cadillac 1959 azul claro igual ao do Elvis Presley, uma Limousine Chrysler idêntica a do presidente Roosevelt a qual só existe outra igual no mundo que está em um museu em Washington D.C. e um reluzente Lincoln 1938, de 12 cilindros, da série K, que conduziu o Papa João Paulo II em sua primeira visita ao Brasil em 1980, tendo como “piloto” o próprio Sr. Og Pozzoli.

É provável que esta rara coleção não tenha o mesmo fim trágico da coleção de Roberto Lee: “_ Os meus filhos sempre participaram dos Encontros e todos cresceram dentro de autos antigos, todos gostam de participar e todos hoje dirigem, também carros antigos.” Diz Og Pozzoli.

FONTES:
AUTOentusiastas
Aqui tem Coisa
MB Classic
Portal AUTOCLASSIC
Carangos & Afins
Antigos Verde Amarelo

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